Mas que grande m**** ou Uma visão pseudo pessimista (ou não) sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais.

Saudações.

Pois é… Não dava as caras por aqui já há algum tempo. Mas tenho uma justificativa, a preguiça a falta de tempo hábil.

Bom, o texto a seguir foi escrito lá pelo fim do ano passado. Uma época conturbada pra mim. Normalmente eu iria direto ao assunto, mas esse especificamente precisa de uma introdução situando você, querido leitor ou leitora, quanto à época e meu estado, esperando que este seja compreendido.

Escrevi a primeira parte do texto entre o fim de novembro e meados de dezembro. Dias difíceis aqueles. Eu tinha que lidar com a recente morte do meu pai e tudo que isso implica, sejam responsabilidades e principalmente sentimentos – acordar de um sonho no meio da noite e andar pela casa escura enquanto se recorda de qual é a sua realidade foi uma das experiências mais surreais, mais fortes e mais terríveis que já tive na vida. Só isso já seria motivo suficiente para alguém  se revoltar contra o mundo ficar pra baixo. Mas obviamente não era só isso. Como digo sempre, problema pouco é bobagem. Havia outros fatores. Entre eles: dinheiro que não dá em árvore, problemas familiares, urgência no trabalho e trabalhos de faculdade para ser terminados, a raiva de certa seguradora local (“Conte conosco para assegurar seus bens, mas se der merda esteja por conta própria :D”) e da legislação sobre essa palhaçada toda, e também por alguém que eu tinha fortes sentimentos (borboletas no estômago e tal) ter se afastado.

Aliás, este último é minha kryptonita. Cabe aqui dizer que eu cometi meus erros, sendo assim, uma parcela da culpa é minha… só pra variar. A questão é que, como eu disse, essa área da vida, a dos relacionamentos, é meu ponto fraco.

We’re all put to the test… but it never comes in the form or at the point we would prefer, does it?

Charles Morse – The Edge

Mantenho o sangue frio pra muita coisa, muita coisa mesmo – a ponto de já ter sido chamado de robô, o que não é verdade, primeiro por que eu sangro (mas isso qualquer robô pode simular), segundo que eu tenho sentimentos, porém os controlo (ou pelo menos tento). Mas MENOS pra isso. Relacionado a isso, pode se traçar um paralelo entre eu e um moleque descendo uma ladeira em uma bicicleta sem freios. Só dá tempo pra pensar depois que parte a cara no muro ao fim da rua. Sirva isso de justificativa para minha impaciência ou não. Acredito que acertei mais do que errei – assim espero – mas nem sempre isso é suficiente. Pelo menos ficou essa lição: Deixe seu coração indicar a direção, mas use a raciocínio para tomar decisões – na maioria das vezes… Os sentimentos podem se tornar insegurança e vendar seus olhos.

Pormenores exemplificados, voltemos à linha de pensamento central. Resumidamente minha situação era essa: insegurança, raiva, medo, ansiedade, coração partido e uma enorme quantia de frustação por não conseguir consertar tudo. A maneira que optei pra exorcizar meus demônios foi escrever. Saiu um texto bem ranzinza por sinal, digno de um Bentinho, mas sem um escritor competente como Machado de Assis assinando a obra.

Em tempo, devo avisar que fui contra minhas próprias regras aqui e usei algum palavreado de baixo calão. Idosos, cardíacos e a turma do politicamente correto sintam-se avisados. Outra coisa, o texto original tinha ficado um pouco diferente, estava meio vago – continua esquisito, em minha opinião de merda, mas deixarei assim – então alterações foram feitas com o passar do tempo, porém a idéia central e o tom foram mantidos.

Sem mais prolongamentos…

A vida é um sofrimento. Uma sucessão de tristezas, decepções e frustrações.

Oportunidades são perdidas, falta dinheiro, nossos planos acabam se tornando sonhos improváveis.

Gastamos com futilidades, sem notar que as coisas nos possuem e não o contrário.

Noites são perturbadas por pesadelos. Alguns bizarros, outros nem tanto. Sonhos com o que já acabou ou nem mesmo existiu.

Pessoas machucam, nos viram as costas. No dia que você mais precisa do abraço de uma pessoa em específico, essa pessoa diz que você está estranho e vai embora. Alguém acaba partindo o seu coração. Você é rejeitado por quem você gosta. Mas espere! um dia você fez/fará as mesmas coisas para alguém. Temos crueldade dentro de nós. Ou simplesmente não damos devido valor.

Dizemos o que não devemos e omitimos o que deveríamos falar. Falta atitude e caráter.

Pessoas morrem, ás vezes sem que você tenha tempo de dizer que se importa. Num momento estão ali, no outro não.

Ficamos sozinhos em muitos momentos. Muitas vezes por nossa própria culpa. Talvez tenhamos feito mal a quem nos quer bem. E nem sempre pedir desculpas resolve. Então tentamos o isolamento pra não nos machucarmos, criando uma barreira entre nós e o resto do mundo. Inútil.

Tentamos ser fortes. Rezamos para que Deus nos dê força para suportar, mas logo fica difícil e rezamos novamente pedindo que ele tire esse peso todo.

Sentimos raiva por um breve momento, jogamos merda no ventilador, dizendo coisas que não diríamos normalmente. Atitudes que nem nós esperamos de nós mesmos. Impaciência, incapacidade de controlar impulsos. Aí a gente se arrepende, mas isso não é o bastante. Nem tudo que quebra pode ser consertado.

As escolhas pesam nos ombros. “Por que deixei acontecer? Por que não fiz diferente? Por quê…?!”

Queremos as pessoas por perto, mas temos medo de perdê-las. Sufocamos quem gostamos. Da mesma maneira que Michael Corleone de O Poderoso Chefão. Ou como a menina que sempre recebia visitas de um pássaro que viajava pelo mundo e voltava para lhe contar histórias magníficas. Um dia ela tentou enjaular a ave e percebeu que esta já não era mais feliz. Quando ela o soltou, o pássaro nunca mais voltou.

Todos querem ser compreendidos, mas ninguém nem tenta entender os outros.

Muitos problemas sem solução aparecem. Às vezes vêm todos ao mesmo tempo. Não tem como piorar, mas piora. Como se estivéssemos caídos e aparecesse alguém pra chutar enquanto estamos no chão.

Erramos. E muito. E erramos novamente. Ao tentar fazer certo só aumentamos a cagada. Estamos tentando, mas nem sempre os outros veem isso.

A vida é difícil…

Pausa.

Tecnicamente, o texto parava por aqui. Talvez agora você esteja pensando “Puta que pariu, esse cara é depressivo”, mas calma lá. Não sou não. Nunca fui. Como eu disse no início do post, isso tudo deve ser analisado dentro de um contexto. A verdade é que eu estava PUTO. Com tudo, principalmente comigo mesmo. E isso é bem diferente de depressão. Teimoso, paranoico, rabugento, contraditório… Ahh, devo ser tudo isso mesmo. Um prato cheio para a psicanálise. Mas isso é outro assunto.

OK. A idéia era mostrar que mesmo com toda essa merda ali pra cima, a vida ainda é algo fantástico. Eu sabia o que viria depois, mas não saia nada no papel. Então engavetei tudo até saber o que fazer com isso.

Pois bem, sigamos…

A vida é difícil…

…mas NÃO é só isso.

Ela está repleta de momentos fantásticos. E coisas simples, corriqueiras são capazes de trazer as mais fortes emoções, que às vezes nem mesmo notamos.

Mesmo que merdas aconteçam – e acontecem com certa frequência – a vida é ótima. E quanto mais CAGADA sofrida ela for mais damos valor ao que realmente importa. Não posso dizer por você o que realmente importa pois isso é subjetivo. Sei o que importa para mim. Minha família, meus amigos, meu trabalho, meus planos.

Ninguém tá livre de problemas e ninguém escapa de cometer erros. Acho que todos gostariam de voltar no tempo e corrigir muita coisa. Mas pensando bem, mesmo que isso fosse possível (desconsideremos os paradoxos da viagem no contínuo espaço-tempo), é melhor ter esses problemas e erros, nós aprendemos com eles. Isso é clichê pra caralho, mas é verdade. É a chave para o futuro, depende de a gente utilizar do conhecimento adquirido pra fazer certo na próxima.

Olhando para o céu em uma noite estrelada percebemos como somos pequenos. Problemas são insignificantes perto da imensidão do universo – Outro clichê, mas foda-se. Bilhões e bilhões de acontecimentos, explosões cósmicas, sei lá. Eventos tão grandes e com enormes consequências.

Proponho um exercício. Saia numa noite estrelada, olhe para o céu, escolha uma estrela, e então considere que o que você vê pode estar tão distante, mas tão distante, que nesse exato momento ela nem existe mais. Porra, fantástico. Metade do que me incomoda fica pelo caminho enquanto imagino o trajeto todo.

Qual o sentido da vida? Essa questão cerca a mente humana desde os primórdios de sua existência – na verdade, foi um pouco depois, mais precisamente quando este, o ser humano, tornou-se consciente. A resposta é simples, meu amigo: ESSA PORRA NÃO TEM SENTIDO NENHUM.

Já dizia Joseph Campbell:

I don’t believe people are looking for the meaning of life as much as they are looking for the experience of being alive.

Joseph Campbell

Veja só, experiência de estar vivo. Aí você me pergunta “Mas Leandro, como funciona isso? De que maneira me sentirei vivo? Eu preciso de sentido!”.

Respondo citando Kubrick.

The very meaninglessness of life forces a man to create his own meaning… However vast the darkness, we must supply our own light.

Stanley Kubrick

Você PROCURA sentido pra vida para SENTIR-SE vivo. Digo que só isso já está de bom tamanho.

Enfim, eis o meu pensamento de merda. Não é minha tentativa de escrever autoajuda, mas sim uma maneira de eu encarar meus problemas – aqueles mesmos lá de cima e outros. Não sei se algo do que escrevi realmente faz sentido, ou se existe alguma lógica nisso. Talvez esteja me contradizendo em muitos pontos, mas não é o ser humano uma contradição constante? Huh?

Até mais e obrigado pelos peixes.

😀

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