O Inimigo Interior

Even though I’m no more than a monster – don’t I, too, have the right to live?

Oh Dae-su – Oldboy

Sempre considerei a mim mesmo como uma pessoa controlada. Sempre pensei ser capaz de manter minhas emoções sob controle da razão em qualquer situação – quase um Vulcano. Infelizmente, fatos recentes me provaram o contrário.

Sim, sou capaz de me manter frio e sob controle em muitas situações desesperadoras. Mas por dentro posso estar explodindo. Acontece quando se é uma pessoa reservada, que prefere não mostrar o que sente.

Uma característica inegável da minha pessoa é a insegurança. São poucas coisas que eu sinto ter domínio completo e as quais tenhos plenas competências. Há raras ocasiões em que eu retiro forças de algum lugar e tomo a dianteira, sabendo o que fazer, o que dizer. Normalmente essas ocasiões envolvem problemas e o sofrimento dos que me cercam.

Dois meses atrás meu pai sofreu um acidente e faleceu. Foi um dos dias mais longos da minha vida. Para onde eu olhava eu via dor, desespero. Tivemos que esperar o dia todo. Eu tinha um milhão de coisas na cabeça e ao mesmo tempo não tinha nada. Ver as pessoas próximas a mim sofrendo era difícil. Me sentia péssimo. Queria fugir, correr pra algum lugar, enfiar a cara no trabalho e não pensar em nada. Fiquei onde estava. A noite fomos à casa mortuária. Aí eu achei a força e segurança que precisava. Minha família precisava que eu aguentasse firme. Eu mesmo precisava disso. A dor ainda estava ali, mas eu podia e tinha que suportar.

Houve outras situações em que surpreendi a mim mesmo e tive coragem e capacidade pra enfrentar alguma coisa da maneira correta. Como já disse Joseph Campbell, “As oportunidades para encontrar forças escondidas dentro de nós mesmos vem quando a vida parece mais desafiadora.”

Mas não é sempre assim.

Percebi que em alguns casos o que alimenta minha segurança é a raiva. Na face de alguns problemas deixo esse sentimento me guiar. Adentro as trevas do lado negro, abandonando a razão e sendo controlado puramente por emoção. Raiva é um combustível poderoso. E perigoso.

“We all have our darker side. We need it; it’s half of what we are. It’s not really ugly, it’s human.”

McCoy – The Enemy Within

A raiva é um sentimento de conflito, natural do ser humano. De certo modo, até nos é necessário. Porém, tudo tem a ver com escolhas. E minhas falhas residem sempre nas minhas escolhas. O que se sente muitas vezes acaba sendo irrelevante diante das ações que se toma. A diferença entre um herói e um vilão reside nas suas escolhas. Então o que sou eu? Um herói que trilhou o caminho errado ou um vilão em busca do certo?

Não posso mudar o passado, mas posso aprender e mudar o futuro. Talvez tudo isso seja necessário. É preciso cair para aprender a levantar.

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