Leandro Kindermann e o Templo da Perdição

Stay behind me, Short Round. Step where I step, and don’t touch anything.

Indiana Jones – Indiana Jones and The Temple of Doom

Ficar em casa sem ter algo para fazer é complicado, mas pior que isso é não ter nada para fazer e não estar em casa. Além de entediante, é cansativo. Quando se está em casa você pode tentar inventar, improvisar, ou pelo menos, ficar largado do jeito que melhor lhe convém. Fora de casa você só tem uma opção, ficar parado e quieto no seu canto. Não dá nem para abrir a geladeira para pensar.

Algum tempo atrás, fui obrigado convencido a ir ao baile de formatura do meu primo. Em respeito a ele, fui sem reclamar. Cheguei lá, sentei na cadeira e fiquei observando. Era cedo ainda – para os padrões dos festeiros (aproximadamente 23:30). As luzes estavam acesas e as pessoas conversavam calmamente.

Depois de um tempo, a situação mudou. Uma leva de pessoas ensandecidas entrou. O barulho se instaurou. O ar ficou pesado. O espaço diminuiu e as pessoas começaram a se esbarrar. Eu continuei sentado, quieto.

Algumas meninas – só duas, na verdade – me chamaram para dançar, mas não aceitei. Sou totalmente descordenado e acabaria constrangido. Por vezes quis sair do recinto, ir lá para fora, mas eu estava cercado de pessoas. Muitos  carregavam copos e volta e meia entulhavam a mesa em que eu estava com copos e garrafas.

Ficar sentado era ruim. Ficar em pé era pior. Haviam grandes chances de que se eu levantasse, alguém pegaria a cadeira.

Ir ao banheiro era uma jornada quase sem volta, digna das aventuras de Indiana Jones. A cena de O Templo da Perdição em que Indy e Short Round ficam presos em uma câmara que lentamente vai se fechando sobre eles aconteceu comigo. No lugar do teto que descia, estavam as pessoas que se fechavam exatamente igual.

Lá por 1:30, as coisas acalmaram… um pouco. Vi uma brecha nas pessoas entre a porta e eu. Rapidamente me dirigi para o lado de fora. Foi um grande alívio. Mas estava frio e os meus ouvidos pareciam entupidos por causa da caixa de som que ficava logo atrás da mesa onde estava. Fiquei ali por algum tempo, olhando o estacionamento lá embaixo, onde pessoas sem convites se embebedavam faziam a própria festa.

Quando voltei para dentro, o ar não estava mais tão pesado. Muitos já haviam saído e outros tantos estavam sentados, embriagados e cansados da folia. Sentei novamente no meu lugar e em alguns instantes meus pais me chamaram para ir embora. Peguei meu chapéu e pude finalmente cavalgar em direção ao pôr do Sol.  Até que enfim.

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